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segunda-feira, 19 de março de 2018

Meu Caso de Amor no Analista












Amor, levei meu caso contigo pro analista
Para ouvir o seu ponto de vista
Falei-lhe de toda uma profunda paixão
De toda uma desilusão, de toda uma piração...
De como se perde a serenidade; mesmo a normalidade
De como abala; como descontrola
De como choca; como desestrutura; é viola

É, amor, levei meu caso contigo pro analista
E segundo seu abalizado ponto de vista
Essa coisa de alguém amar ,de se apaixonar
É geralmente forjação da mente
Que todo o sentimento por ti desenvolvido então
Era de um mecanismo da minha imaginação
Reproduzindo padrões sócio-culturais
Que se fazem nos humanos relacionamentos
Na consonante convivência, desde tempos imemoriais
Em que se insinua que a real felicidade é no momento
Em que se está vivendo o grande amor na vida
Que aí é que se está a vida sendo o melhor vivida
Que se estar amando de todo o coração
É da alma a mais desejada aspiração
E estar um grande amor a viver
Além do desfrute de todo o prazer
É o que no fundo vivemos a almejar
Como viver a vida mais sublimar
E nos espelhamos nos modelos que conhecemos
Heróis amorosos do livros que lemos
Que sofrem nos enredos das novelas
E estão também nas músicas e nas telas
Com seus personagens apaixonados ardentemente
E que pelo seu amor vencem tudo pela frente
No apelo sentimental das novelas
Por quem já vivenciou suas paixões escritas
E traçam assim as finalizações mais bonitas
Ainda que na verdade não se tenha assim lhe acontecido
Mas o fazem da foram como lhe deveria ter sido
Como uma forma de o que não foi fazer acontecer
Não querem dar o braço a torcer
E traçam a história do jeito que melhor entender
E sentem nisso então um menor sofrer
Influenciando de jeito espíritos sonhadores
Que no seu momento vão amar horrores
Reproduzindo o padrão que ali se condiz
Do romance em vivência prazerosa e final feliz
E assim é que crédulas almas alimenta
Onde o sonho de amor se sedimenta
guardando a expectativa de viver aquele amor
Como um ser no padrão programado
Quando cruzará com a que tem imaginado
Que será seu par para viver o amor que assim guardou
E que vai naquele modelo se enquadrar
Da beleza em seu ser a se idealizar
E desde logo será sua atração física irrecusável
Pois em si já há um estímulo terminante inegável
E nem todo o charme esse alguém precisará jogar
E nem vai ser preciso se mergulhar tanto no olhar
E vai começar seus passos nesse seu mundo ansiado
Quando ela abrir seu ser para você se deliciar
Quando ela fizer olhar carregado de amor e desejo
Aí então você se sentirá que enfim é o ensejo
De liberar toda a energia do amor que tem guardado
Com todo o referencial dos romances em si projetado
E nos seus beijos e abraços total dominado
Estará fatalmente no mundo das novelas mergulhado
Reproduzido por sua vez o que outros vivenciaram
A fantasia pela qual tantos outros já passaram
E se desiludiram e se desesperaram
E tantos pior ainda se ferraram
Pois o cara nessa se idealiza o príncipe encantado
E faz dela a princesa que será a rainha do seu reinado
Do seu reinado de sonho e amor verdadeiro
Alimentando seu mundo de sonho inteiro
Mas sem perceber que era um mundo de fantasia
E assim se idealiza o cara, o galã; todo prosa e poesia
E ela a ninfa enfim conquistada
E assim se idealiza o bonitão da parada
E ela a bela do cara, por seu encanto conquistada
E assim é que a coisa vai mais e mais alimentando
No dia a dia se dilata na ilusão do grande amor estar vivenciando
Quando para ela pode ser apenas uma aventura passageira
Uma curtição; aprontação de mais uma besteira
E vai se autossugestionando mais e mais
E só quer acreditar e acredita até demais
Como acontece a muitos nessas circunstâncias
E alimentando sempre mais fundo nessa constância
O coração se fazendo entregue até totalmente
Num mundo romanesco de fantasia somente
Já ansiando e buscando encaminhar o final feliz
A grande apoteose do amor que nos contos de fadas se diz
Enquanto se pra ela é só uma curtição passageira
Só a aprontação de alguma aventureira
E para ele a vivência do grande amor enfim
Se encaminhando para o final feliz, o altar, o sim
Vai chegar a hora do não, do desencanto
E aí é imprevisível da desilusão o quanto
Vai gerar de desequilíbrio, de destempero
O que não se segurará no desespero
E quando vê que não era nada daquilo
E que só alimentou em seu coração
Uma tão arraigada ilusão
E aí é como perder o chão
Subindo pra cabeça desilusão
E não se segura cabeça, que não perderia
Se a vivência desse amor não fosse frágil fantasia
E no desespero do castelo de sonho a desmoronar
Aí vai ficando louco, pirado, azoado, a se derrocar
Na danação que se instaura pelo amor perdido
E mais a mais vai se fazendo um todo doído
Que na verdade não é apenas pelo romântico sentimento
Mas envolve outras razões de abatimento
Pois havia em paralelo seu plano de poder
Da qual ele fazia parte nesse fazer e acontecer
Era a conquista do mundo que nesse plano desejava
Mas com esse revés no encaminhamento do plano jamais contava
Também se vê em orgulho ferido
Por ter sido assim desprezado, preterido
Rejeitado jogado pra escanteio
Com a auto-estima em baixa, em devaneios
E sente vergonha das pessoas em volta ali
Para as quais sua felicidade lograva em exibir
Por estar a amar e estar sendo amado
Por ter o coração da sua bela conquistado
Quando na verdade então vê com horror
Que não estava nada a viver um grande amor
Também sofre pela inevitável desilusão
Ao ver que ele não era o que pensava ser então
o cara que imperava em seu coração
Aí não dá pra segurar o abalo da decepção
Pois esse tipo de amor envolve possessividade
E quando percebe que não tem o que pensa na verdade
Aí chora como uma criança que perdeu o doce ou o brinquedo
E passa a espernear, se joga no chão qual em degredo
Se danando qual como a perda de algo vital
Que pensava possuir, mas estava agora na mal
A vaidade megalomaníaca de se achar o tal
que tem alguém aos pés, pelo seu magnetismo
cede lugar a um raquítico pequenismo
Mas daí é que vai os olhos se abrirem total
E para a realidade, assim vai acordando
De sonho ilusório que estava alentando
o sonho de amor que em seu coração alimentava
enquanto para ela era só algo em que se aventurava
e para a qual chegou ao final, como tinha de ser
que ela não gosta de verdade de você vai perceber
pelo menos não gostava na mesma intensidade
a viagem dela era outra, na verdade
e começa a certos detalhes melhor entender
coisas que não fazia questão de se ater
que não queria ligar talvez pra não querer perceber
e que indicavam que ela não estava na mesma que você
Que não estava assim de corpo e alma envolvida
No relacionamento que para você era tudo na vida
pois se tivesse, motivos de ciúme não daria
e contigo todas as noites dormiria
inclusive nos finais de semana
Que você passava só como um banana
Imaginando onde estaria ela
E às vezes até olhava sonhado pela janela
E assim, amor, é que meu analista falava
Era assim que mau caso contigo analisava
E analisando assim continuava
E em sua análise se aprofundava
não se pira de amor, ele seguia a dizer
pois não há amor, nesse caso de você
o que rola é uma síndrome por certas predisposições
latentes que disparam das expectativas em frustrações
ocorre uma fissura em pleno domínio sentimental
como um circuito, um lapso um surto emocional
é que meu analista racionaliza tudo o quanto for
e o que pra mim era puro sentimento de amor
para ele é só reprodução de padrão cultural
do meu desejo de viver de novelas o sentimental
pois é o que todos nós desejamos
que inconscientemente almejamos
e que você era apenas instrumento
do meu projeto de poder naquele momento
e que amor de verdade mesmo não há
o puro, simples e desinteressado gostar
que há sempre por trás uma segunda intenção
mesmo chore um aos pés implorando em prostração
mesmo se se escreve inflamadas cartas de amor
há ainda algo por trás, ocultado
o projeto de poder planeado
esse meu analista
é todo racionalista
não acredita no amor
diz que tudo é outro fator
até dos poemas que lhe fiz lhe falei
e mesmo alguns destes poemas para lê-los lhe dei
poemas que falo de meu amor por você
e que às vezes relembrando você me ponho a ler
ele disse que isso ainda não passa de um procedimento
do projeto de poder que alimento
que eu sustento meu dom poético
porque não posso fugir do patético
que uma vez se instaurou em mim
e agora só me resta seguir assim
tentando atenuar a feiúra
daqueles tempos de loucura
que nem sou todo aquele poeta
até um tanto mesmo pateta
apenas escrevo coisas que para me manter
de alguma forma ainda ligado a você
ainda inconformado de lhe perder
tentando ainda a coisa subverter
que ainda escrevo para lhe queixar
admitindo-a como musa do meu versejar
mas é só ainda o meu querer obcecado
tentando contudo ainda o leite derramado
buscando reconquistá-la nesse labor
mas que de modo algum é ainda amor
é coisa do ego machucado tentando se restabelecer
da dor da rejeição que veio assim sofrer
como para se sentir bem consigo mesmo
seu fazer poético tem esse objetivo, não é nada a esmo
é por alguma auto-estima que mais em alta estava
na época em que contigo de boa me relacionava
e a todos me exibia em sumaa felicidade
Julgando estar vivendo o grande amor de verdade
por ainda querer reafirmar uma viril masculinidade
após micos, frescuras e palhaçadas
fricotes e outras afetações aprontadas
de quando da desestruturação após te perder
quem sabe até procurando causar algum remorso em você
dizendo do que estou a sofrer, sem merecer
depois de tanto sincerto amor he oferecer
que talvez queira que você por pena venha me querer
fazendo ela te ver na tremenda fossa que você foi parar
mas é aí que está redondamente a se enganar
pois as mulheresgeralmente rejeitam homens que caem na fossa
ainda que em função disso se intentem em alguma bossa
pois geralmente se tornam com o coração endurecido, espinhoso
pois se entregam à decepção, ao descuido, tornam-se decaídos
se entregam aos vícios, aos guetos à vagabundagem
na decadência da derrocada, na louca viagem
nas portas de bares, espeluncas, pardieiros
perdida noção básica de higiene, e sem dinheiro
que só com muito esforço e disciplina a se aplicar
só com a graça de Deus para poder se consagrar
em algo bom e grandioso em realização
poitant se lhe mostrar na fossa não adianta não
que isso não lhe vai sensibilizar
que isso só vai mais dela te distansiar
o bom mesmo é disso evitar de comentar
que fossa não é mesmo lugar bom de se estar
nem vai trazer a amada pra junto de você assim
é mais possível que issolhe gere aversão do que apego
ao cara que cai na fossa, ela tem é nojo desapego
ainda que nessa fossa em seus momentos
resida os mais divinos pensamentos
é assim que analisa meu analista
destilando seus abalizafos ponto de vista
disse que se eu ainda a amasse de verdade
ao invés de lhe estar escrevendo veleidades
estar ao seu redor estaria procurando
pessoalmente, te cantando, te tentando
que essa minha coisa de escrever é tentar reaver
revivenciar o que eu me sinto em um dia perder
e assim é que meu analista analisa
pois é, amor, meu analista tudo racionaliza
pra ele não existe isso de amar
por alguém se apaixonar
é tudo autosugestionamento coisa que a gente quer acreditar
mas é tudo influência de novelas que pensamos um dia vivenciar
e ele disse que isso é científico, que atesta qualquer doutor
que não existe de modo puro, o suposto sentimento de amor

o que sempre existe é algo por trás, subliminar
tudo é do ego um interesse pessoal particular
mesmo os sofrimentos do jovem Werther de Goethe
onde muitos romanticos se comprazem em deleite
não vem de um senimento de puo amor
mas frustações de interesses egoóstas era mais sua dor
cita até Nietzche o meu analista
O amor pra ele é uma troca de interesses egoístas
você me dá o que eu preciso, bem assim
e eu te dou o que você quer, e fim
todo romantismo é apenas criação
da mente humana, ilusão
e que a novela o romance tanta gente engana
mesmo Romeu e Julieta, historinha tão bacana
esconde essas tão evidentes nuances
de outris interesses num romance
mesmo historias de amor que no fim acabam bem
É da fantasiaçao do desejo de quem conta também
pois conta como achou que lhe deveria ter acontecido
em sua vida, o felizes para sempre que deveria lhe ter sido
distorcendo a realidade
que foi diferente, na verdade
talvez tenha sido feliz no amor, mas no amor divino
Deus com pena lhe deu alguma consolação por seu tino
e assim ganhou inspiração, motivação pelo que cria
daí sua força, sua disposição, sua alguma alegria
Meu analista não crê em amor, racionaliza tudo
E me garante é científico, baseado em sérios estudos
e tudo está nos compêndios explicado
tudo pesquisado e aprofundado
Contei-lhe detalhes de nosso relacionamento
Para ele ver o que tinha por ti de sentimento
Mas com seu pensamento racionalizador
Sempre tinha um quê por trás so meu amor
Meu analista me faz me sentir-me um insensível,
incapaz de amar, dissimulado icorrigível
Aliás, sob sua ótica todos são
sem amor no coração então
Já que não existe amor de verdade pra meu analista
Só há mesmo interesses puramente egoístas
E assim é com toda a humanidade
não existe amor de verdade
Meu analista quer me fazer crer
Que não me apaixonei por você
Era tudo coisa do meu ego interesseiro então
Era tudo de um padrão cultural a reprodução
Querendo o amor das novelas viver
no mundo da fantasia sem me aperceber
Como se você não fosse merecedora
de uma paixão verdadeira, avassaladora
você tão bela, fascínante em formosura
Era a rosa da minha existência, divina criatura
Até o seu perfume era da mais bela rosa
Era bela atraente irresistível e misteriosa
Como a pintura do Leonardo,a própria Monalisa
e meu analista diz que não há amor quando analisa
Meu analista disse que há amores forjados
com interesses outros, às vezes escusos, não revelados
eu procurei tanto fazer-lhe ver que não
que havia amt poi ti n meu coração
E me contou uma história cabulosa de alguém viver
Como um filme de suspense inquieto de se ver
embota outras coisas o fazer acreditar
Daí até cair a ficha e um tanto mau pedaço passar
e às vezes se vai viver toda a vida
com um fel no coração com uma ferida
do buraco da maldade a armação
que a vítima envolve en nefasta intenção
e nesse buraco o incauto cai
e dele jamais, jamais se sai
Anjos infernais envolvem o iludido por inteiro
num show de Truman verdadeiro
Em que estão prontos para trolar
O pobre coitado que pensa estar
vivendo o grande amor e sendo amado
acha que está até sendo agraciado
Com seu sentimento de amor profundo
Armam na verdade seu fim de mundo
e lhe esperam apataecer chorando
agoniado se desesperando
Ao contar-lhe certos detalhes do nosso envolvimento
disse que tudo pode ser dessa armação de tormento
De uma armação com objetivos e lances
E o incauto com o espírito cheio de desejo de romance
pelas novelas alimentado é o otário ideal
Inocente doido para se fazer apaixonado e tal
O que tem em si como bonito, bacana
Ingênuo desse jogo de amor sacana
Mas que outros interesses se envolvem nessas coisa de armar
ações que enchendo o ego da pessoa lhe faz acreditar
E a pessoa no mundo da fantasia
Fica com a vista embotada para o real noite e dia
Sem perceber o que se passa ao seu redor sorrateiramente
Numa ardilosa trama de variadas e sutis pessoas indecentes
Tem o amor como um jogo, e nessa matilha o pobre coitado
E o objetivo é com a libido em alta deixá-lo sozinho, abandonado
Vulnerável a qualquer que se insinue sexualmente
para iniciá-lo em outras práticas tipo acachorradamente
Ao que vai acabar correspondendo irreversivelmente,
ou em outras palavras ou seja o negócio é maldosamente
deixar o cara viciado, num cio danado
Disposto a se envolver com um do buraco qualquer safado
que gregamente vai lhe fazer então beijado
e mais à frente vão lhe botar pra beijar como o safado
para cair assim no buraco infernal
mais do que resgatado do lodaçal
nesse buraco naufraga sem solução
Deus que livre de passar disso um irmão
essa história que do meu analista ouvi
não pude crer de tal coisa existir
Mas como algo positivo se quiser pode ver
ele quis ainda me dizer
Derrubar o homem faz que ele procure se engrandecer
e algo grandioso procurar assim fazer
Disse que é assim que o homem vai procurar ser
após a queda, alguém de valor se recinhecer
Assim foi que Eva deffunou Adão
que padou a desbravar o mundo então
O Mark Zuckerberg, e seu sócio até
sofreram do desprezo de mulher
E por conta de decepção amorosa
procuraram conseguir vida gloriosa
e acabam fzendo bem pra humanidade
Se for ver com boa vontade
são altas transações para o bem do mundo
que desse mal se fazem um bem oriundo
assim é que forçam essa situação
mas se pode ser de boa intençao
eu ouvi tudo com atenção
mas ainda penso, não sei não
mas não acredito que você seja dessa armação
do buraco da maldade, nao e não
você é aquela frágil menina que amei
e por quem perdidamente me apaixonei
apesar de que o meu analista me disse que não há amor
eu lembto tudo que no meu coração se passou
talvez meu analoista também mal se apaixonou
e por isso é que ele nega o amor
pois eu bem sei a falta que senti de você a me acabar
Só eu sei como senti em gotejos meu coração sangrar
Só sei que ter você em meus braços adorava
Lembro de sua pele tão macia que em êxtase acariciava
Também seu beijo doce suas mãos carinhosas
Me levava a um enlevo, era tão gortisa
ao delírio me levava
ao céu me transportava

às vezes pensi se sentitia o mesmo de nome com vec~e
só novamente te beijando pra saber
poseria ainda de novo te querer
contigo até envelhecer
nada de influencia de novela
nada de autossugestionamento
se quando minha boca vier beijar
se quando meu corpo vier acariciar
vou saber se é amor mesmo meu sentimento
nesse tão extasiante momento
Desde que mal resolvido, não todo consumido
Esse tido amor estaria mesmo ainda em mim adormecido
esse amor iria então despertar
Se quisesse ainda a mem ota te amar
Mas desde que seja só minha e de mais ninguém
que diga que me ama que sou o cara ambém
Que eu sou o homem de sua vida inteira ao seu lado
e que não há outro melhor que tenha amado
aí meu coraçao com o seu iriamos definitivamente unir
E que te amo sempre e semptre iria repetir
Sem segundas intenções, só desfrutar do amor, até consumir
Quando duas pessoas se querem, ninguém pode imedir
ainda que seja coisa de clichê
eu sei te compreender

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fidalgo Infante e Sua Luta Contra o Dragão do Mal a Caminho da Cidade Sonhada


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Seguindo assente por incerta rota da vida

Tomada numa conveniência da sua investida

De alcançar a promissora cidade sonhada

Na arremetida dessa aventura determinada

Fidalgo Infante se depara a certa altura

Com medonha e ameaçadora criatura



Um espantoso e sinistro dragão do mal

De ira manifestada em rugido infernal

De unhas enormes e pontudas, suas garras afiadas

De olhos incandescentes como brasas avermelhadas

Já ameaçador nas assombrosas asas em movimentações

Com pontas agudas projetadas por entre as articulações

Tremia o chão com suas passadas pesadas

E logo que avistou Infante, a face apavorada

Com violenta fúria, colérico então o atacou

E com sua pata de unhas pontiagudas o golpeou

E em sua direção desde as ventas lançou chamas

E Infante quase em choque ante o nefasto drama

Conseguiu num átimo se esquivar, mas foi atingido

Ficou chamuscado e também gravemente ferido

Apavorado e esbaforido numa gruta adentrou

Era a entrada de uma caverna que por sorte logo ali encontrou

E a entrada desta caverna por onde fugia

Do temido monstro que lhe perseguia

Não permitia sua passagem, ali assim barrado

E seguindo em fuga e tendo num relance pra trás olhado

via só um seu olho na entrada da caverna recortado

E Infante seguia ali correndo, totalmente abismado



E seguindo pela caverna numa saída do outro lado foi dar

E a floresta explorando, alimento e descanso a buscar

Encontrou uma cabana, morada de um velho de sábios conhecimentos

Que lhe acolheu e com ervas curativas cuidou de seus ferimentos

E deixando apenas as cicatrizes, seu machucado curou

E na arte da luta contra o dragão do mal o iniciou

Escudo resistente e lança afiada lhe ensinou a fazer

Para proteção e ataque, para o demônio abater

E após dias de lições e duros treinamentos

Já se feito preparado para o mortal enfrentamento

Do velho sábio despediu-se agradecido

Mas antes que dele se tivesse ido

Pôs em seu pescoço um colar cujo pingente

Era não menos do que de dragão um dente

E disse-lhe que lhe daria sorte

No seu iminente embate de morte



E assim retornou pela caverna que dias atrás cruzou

Fugindo da fera, da qual por pouco escapou

E da caverna por onde dias antes entrou apavorado, ao sair

Encontrou logo a fera indomável lhe esperando a rugir

Soltando pelas ventas uma fumaça escurecida

Batendo a pata no chão com força embrutecida

Ora uma ora outra pata no chão com furor batia

E assim atemorizante todo o chão ao redor tremia

E logo ao ver Infante, da caverna recém saído

Por onde dias antes se houvera dele escapulido

Tremendamente raivoso tórridas chamas lançou

Das quais, com seu escudo de metal se resguardou

O fogo em chamas o seu escudo esquentava

Mas Infante resistia e com resistência o segurava

Quase, de tão aquecido, o escudo largou

Quando aquele lufo de rajada se encerrou

E a dor da quentura na pele de Infante aliviou

Então Infante avançou e ante o monstro se colocou

O monstro com um golpe de pata sobre Infante investiu

Infante célere se esquivou, foi por pouco que o bicho não o feriu

Aproveitando o monstro no contrapé, Infante se jogou

Rolando rápido pelo chão para bem abaixo da sua barriga parou

O dragão ficou tanto perdido sem Infante poder avistar

E seguindo do velho a instrução para o dragão matar

Antes que o monstro mudasse de posição a lhe avistar assim

Tão aberto e vulnerável para liquidar Infante por fim

Sob a barriga do monstrengo a pontuda lança posicionou

E bem fundo no coração do malvado Infante cravou

Uma rajada de sangue férvido alcançou Infante

Enquanto o monstro, de morte ferido, gritava angustiante

Soltou um estrondoso e ensurdecedor rugido

Que através da caverna pelo Velho foi ouvido

A fazer-lhe saber com satisfação que seu instruído

Houvera felizmente o monstro feroz abatido

O monstro em danação angustiosa se esvaia

E logo pesadamente a monstruosidade no chão caia

Fazendo estrondoso barulho, de sobressaltar

E célere Infante teve que mais ainda no chão rolar

Para evitar que o monstro o esmagasse ao tombar no chão

E com o monstro morto caído, Infante se ergueu a se recompor então



E continuou em marcha, no caminho da ventura que buscava

E seguindo em frente na rota com mais alguns dias já divisava

Ao longe, do alto, a sua cidade sonhada

Que sob o sol rebrilhava seus picos, suas fachadas

E com mais alguns dias, por fim alcançaria

A cidade pela qual pelo mundo se aventuraria

Com toda a força divina e sapiência aprendida

Para construir seu sonho, o seu sonho de vida

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Figuras da Metrópole












Tão boa de informação e cultura
Mas também é muito divertida
Pois tem lá cada figura

Primeiro um véio orelhudo que se diz o maior
“eu gosto muito dele”, fala ele d’algum camarada
Em seguida, com sua voz de Netuno
Vai no cara dando umas boas porradas

Tem um tal Abraão, ou Aragão, sei lá
Que se borra de medo de avião
O véio chama ele de maconheiro
E ele retruca chamando de colega o patrão

“Nardélia” é competente e talentosa
Além de ser bonita pra danar
Mas seu marido Sílvio que não vacile
Que o Xavier  já andou a lhe queixar

Rita Batista é toda odara
Baiana retada, só alegria
Foi a mãe do ano na Bahia

O Medrado é um espírita moderno
E de renome internacional
O Divaldo Franco não perde seu programa
Que ele faz no mais alto astral

A Luana tem um jeitinho meigo
Mas, cuidado ! É de Escorpião !
E quem quiser que se engane
Pois tem veneno no seu ferrão

A Cristiele sabe tudo dos orixás
E é também muito boa de papo
Mas quem quiser que mexa com ela
Que vai parar lá na boca do sapo

Com cinema Axé Music e tudo
E com aquela sua voz mansa
Já anda a dar lá seus cascudos

O Bocão manda pra todos “aquele abraço”
Mas seu entrevistado, quer encostar na parede
Não poupa a vida de nenhum Kelé
Mas não tem cerveja que lhe mate a sede

Malu Fontes é como a palmatória do mundo
De Deus e do Diabo já falou
A doutora dá um show

Guerreiro é o moleque do “Roda Baiana”
Onde o ri com graça a Babi sem delongas   
Andrezão , tão bacana que é um absurdo
Eu só não sei mesmo quem é Jonga

O Dr. Antônio Nery, grande psiquiatra
Zela por aqueles em situação de rua
É um médico dos super-humanos 

Tem Drª Gilda Fucks, sexóloga
Cremeb 1930, informativa e liberal
Há quem a acuse de falar só ousadias
Mas bem orienta a galera em geral

Tem também comentaristas como Felipe Pondé
Burguês direitista, filósofa criatura
E Alexandre Garcia, desde sempre anti-Lula
Um deprimente saudosista da ditadura

Mas tem também comentarista esquerdista
Como Jessé Souza, dos excluídos um vozeirão
Sensível à nossa triste desigualdade social
Que é causa de grandes problemas da nação

E tem também um fofoqueiro de plantão
Matheus Moraes, ou simplesmente Matiê
Já gosta de falar de políticos e de artistas
Revelando poucas e boas desses metiês 

Ainda tem um cara como o James Martins
Conhecedor de cultura em geral
Pode não saber tanto como o vagalume
Mas como Dr. Google ele sabe igual

Também não se pode esquecer o Jolivaldo
Sabedor das coisas de nossa Bahia
Coisas antigas, do arco da velha
E coisas mudadas no nosso dia a dia

E essa é a Metrópole destas e d’outras figuras
‘Todos falam, todos ouvem’ é o seu lema no ar
Mas vê se fala logo o que você quer
Antes de o “iníquo” sem dó lhe cortar

( Jesus através da Música Pop !
Acesse http://vestigiosdaluz.blogspot.com )

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Pós-Modernismo ( Take It Easy, Véi ! )





















Depois que o matreiro homem

Maravilhosamente criou a net

Eu me senti com direitos,

Com princípios e dignidade

Do que sinto, postar



Por isso, sem preconceitos eu posto

Posto sem  fantasia

Posto o Amor, posto Sua Alegria

Que se mostra na Fé; que leva à Paz

Posto a Luz 
Posto  a Informação

Mesmo na madrugada


Take it easy ,véi

Pois eu posto até canto 
À minha amada

Esperada, desejada, adorada
A danada 



Take it easy , véi

Tenha calma meu amigo

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cabelo de Nego
















Então cê quer que eu traga meu cabelo sempre cortado

Porque crespo se cresce, você fica muito incomodado

Como se meu cabelo grande ferisse se olhar


Como se eu fosse o patinho feio ou uma aberração

Então eu tenho assim cortado pra a gente de boa ficar

Talvez eu não queira mais seu olhar de desaprovação



Cê quer que eu traga o cabelo raspado na um ou na zero

E seu descontentamento com minha pessoa eu não quero

Talvez cê queira mesmo que eu nem tenha mais cabelo

Que eu traga sempre meu couro cabeludo no pelo

Pois segundo você diz, o meu cabelo é ruim

Porque ele é não sei que lá assim assim

E o que é ruim tem que ser eliminado

E pra não contrariar eu tenho raspado

Mas eu acho que você é que está sendo ruim

Quando não aceita a natureza em mim

E quer desta maneira me inferiorizar

Porque meu cabelo faz você se apoquentar

Mas é cabelo de negro, de africano, rapaz

Que vem desde meus milenares ancestrais



Então cê quer mesmo minha cabeça só raspada

Pra você não se sentir assim tão aporrinhada

De que meu cabelo é duro , não sei mais o quê

E se eu cresço ele, você não ‘guenta ver

Mas o que é duro mesmo é esse seu discurso aceitar

Quando você passa a alguém querer depreciar

Em função do cabelo ou pele que a natureza lhe dá

Mas eu tenho até raspado pra você não se encolerizar



Cê quer minha cabeça sempre raspada então

Talvez não queira nem que eu deixe o pimpão

Porque o meu cabelo a deixa mesmo desconfortado

Então pra você não se exasperar eu tenho raspado

Assim é que eu tenho feito sua vontade



Você quer minha cabeça sempre raspada

Pois se crio cabelo cê fica mesmo exaltado

Mas agora eu resolvi tomar a liberdade

De transar o meu cabelo como eu bem quiser

Vou criar cabelo grande; cê vai ver como é que é

Ou será que eu tenho que lhe pedir licença

Pois talvez que manda em meu cabelo você pensa

Eu vou é deixar meu cabelo crescer um bocado

E não to nem aí se você vai ficar no desagrado



Você quer minha cabeça sempre raspada

E pra você não se sentir incomodada

Eu tenho raspado meu couro cabeludo

Com máquina um , zero, gilete e tudo

Pois cê diz que meu cabelo é duro, é ruim

E eu tenho ido em suas águas assim

Mantendo minha cabeça raspada

Pra você não ficar injuriada



Só que agora eu fiquei já retado

Eu vou deixar meu cabelo crescer adoidado

Você só quer meu cabelo cortar

Mas agora resolvi meu cabelo criar

Num Black Power bem alto e volumoso

Eu quero mesmo ver você ficar furioso

Meu pixaim, do bicho vai ficar

E de raiva você vai se estrebuchar

Vai crescer tal que na bucha vai ficar

E na esponja a bucha vu realçar

E você de ódio vai se lascar



Você só quer meu cabelo cortar

Mas uns dreads cabulosos eu vou transar

A lá Bob Marley, rebelde, irreverente

Tô me lixando que cê vai ficar descontente

Você que quer meu cabelo raspado

Pra não ficar se ressentindo, chateado

Agora eu vou é deixar crescer a engundar

Formando mesmo uma placa; um tapete capilar

Cê vai ficar horrorizado de doer

Que vai até pedir pra morrer

Vai ficar mesmo indignado o rapaz

Protestando que meu cabelo ‘tá demais’



Cê quer meu cabelo sempre cortado

E assim eu tenho me comportado

Mas agora vou crescer meu cabelo num trançado

Sobre o couro cabeludo traçado

Nem se você vai se desgostar

Se com meu novo look não vai se dar



Você quer minha cabeça sempre raspadinha

Mas agora vou transar nele umas trancinhas

E realçar com contas coloridas, com missangas

E pouco me dá se então você se zanga

Vou realçar as trancinhas com alegria

Com continhas com as cores da Bahia

Com as cores da Jamaica posso variar

Com o vermelho e preto também

Que são as cores que meu time tem

Posso variar com as cores do meu orixá

E você meu irmão que vá se danar

Que nem aí pra você vou estar

Exercendo minha liberdade capilar

Pois eu sou dono do meu nariz

Também desse cabelo que você maldiz



Você só quer meu cabelo cortado

Pois, grande, cê fica chocado

Mas uns finos dreads nele vou transar

A lá Djavan, Brown, e quem mais há

Quero ver sua cara como vai ficar

Meu cabelo em nada me faz incomodado

Esteja ele como for, mesmo raspado

Você é que tem que com a vida se resolver

E aceitar a natureza como Deus quis fazer

E não vir com essa de que eu tenho que cortar

Pra você não se sentir em mal estar



Se cabelo de negro problema vem lhe trazer

Eu nada meu irmão posso então fazer

Carregue um espelho para então se olhar

Quando um negro cabeludo em sua frente pintar

Aí então você vai se sentir melhor

Você que se acha que é tal, melhor

Nem tudo no mundo nos agrada, infelizmente

Como não agrada a nós , afrodescendentes

Quem deste modo nos quer inferiorizar

Pelo cabelo ou pele que a natureza dá



E nem me venha com esse papo de pente

Que isso é lá invenção da sua gente

Que esse artefato achou por bem de inventar

Para atender sua necessidade capilar

Nosso povo, tal objeto nunca inventaria

Pois pra nosso cabelo nunca serviria

Pra gente o que rola é o todo embaraçado

O Black Power, os dreads, o trançado

Ou que mais a gente inventar

Então se chegue com seu pente pra lá



Você até que tem ousadia, rapaz

De se botar de escroto sagaz

Mas o que lhe falta é a inteligência

Ou quem sabe justa consciência

Pois como pode alguém querer esculhambar

Pelo cabelo ou pele que a natureza lhe dá



Você só quer meu cabelo aparar

Pois se revolta se eu criar

Mas a minha agora é te desprezar

E levar meu cabelo como se me dá

Na afirmação, na resistência, meu irmão

Contra o racismo e a descriminação

Agora vê se você me deixa em paz

Pois aqui é cabelo de nego, rapaz!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Um Ateu, Um Achólogo



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Eu sou um ateu
Eu sou um achólogo
Penso, logo acho
Eu acho que Deus não existe
Eu acho que Jesus não existe
Eu acho que alma não existe

E enquanto a Ciência não prova
Que alma não existe
Que Jesus não existe
Que Deus não existe
Eu vou achando

Penso, logo acho
Eu sou um achólogo
Eu sou ateu

O teísta crê que Deus existe
Mas eu acho que Deus não existe

Tem teísta que se diz além do crer
                                   na certeza
Pois tem já de Deus comprovação
                                 alguma graça
                                 algum poder dado do Céu
Pois tem de Jesus o seu sorriso
Após seguir-lhe em mandamento
Pois tem de almas aparições
Em contextos tais e quais
Mas eu acho que isso é alucinação esquizofrênica
Porque eu acho que não existe sobrenatural
Só a matéria e tal
Pois eu sou um ateu; eu sou um achólogo

E esse pessoal que exibe algum poder singular
                                         alguma força  excepcional
                                         alguma capacidade diferenciada
                                         algum talento acima do comum             E atribui essas qualidades
A uma dádiva divina
Eu acho que está mentindo
eu acho que está de baratinho
Pois essas suas qualidades
Eu acho que é dele mesmo
                        do seu próprio gen
Eu acho que não é nada dádiva de Deus
Pois eu sou um ateu
             sou um achólogo

E nesse pessoal que fica louco
Em grave perturbação mental
De se atirar no fundo do poço
Numa fossa a se atormentar
De até pensar em se findar  
E de repente se ascende
                     se pronuncia
                     se manifesta
                     se destaca
Exibindo um poder singular
                uma força excepcional
                uma capacidade diferenciada
                um talento acima do comum
De admirar as gentes
Como a Fênix mitológica
Ressurgida d’um fim
E que atribui sua cura e sucesso
A intercessões sobrenaturais
Deus , Jesus, etc.
Eu acho que está mentindo
Eu acho que está de baratinho
Eu acho que sele se curou ele próprio
              que ele se empoderou  ele próprio
                     foi a penas as drogas do doutor
E mesmo os que fugiram do hospício
E se jogaram no mundo
E daí emergiram
Para o sucesso e reconhecimento
E atribui seu restabelecimento
A Deus, a Jesus, ao sobrenatural
Está mentindo; está de baratinho
Porque eu acho que Deus não existe
             eu acho que Jesus não existe
             eu acho que o sobrenatural não existe

Pois eu sou um ateu
        eu sou um achólogo

E esse pessoal que diz
‘Jesus é a razão do meu sucesso’
‘Deus é a razão do meu sucesso’
Eu acho que está mentindo
                     está de baratinho

Porque eu acho que Deus não existe
            eu acho que Jesus não existe

Pois eu sou um achólogo
        eu sou um ateu