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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

HUMANO QUERER





 É  natural querer
É normal desejar

Seja  ter,  seja ser

É humano sonhar



Para além de nascer

Crescer , reproduzir , morrer

Para além de viver

Um ideal buscar realizar



E até como sentido de viver

Como energia a suster

Na alma o corpo a mover

Pelo caro bem a alcançar



Como também pode se motivar

Por necessidade de se afirmar

De em algum valor se evidenciar

De alguma desventura vencer



E nessa jornada por conquistar

Pode acontecer de a si se dar

O poder que vai então facultar

Conseguir o seu pretender



Mas há de desprendido se conservar

Pois ainda que com todo querer

Resoluto no coração a abrigar

Total abnegação  se pode requerer



E algo doentio não se deve tornar

Como obsessão  a não se conter

Num anseio de se descontrolar

De se desesperar , enlouquecer



Pois há de manter a temperança nesse empreender

Pelo bom senso em que se há de se conservar

Pois há de ter saúde para trabalhar pra valer

E tem que ter força para potente perseverar



No entanto para tanto fazer

Deve todo nisso mergulhar

Se dar a isso em todo o ser

E algo talvez se sacrificar



Decepções pode amargar

Desilusões pode sofrer

Lágrimas podem rolar

Mas no amor deve se manter



Pode o mundo aperrear

Exposto ridículo então se ver

Vexames tantos passar

Mas inda lutará pra vencer



O pão que o Diabo amassou  pode comer

Fome e desabrigo pode sobre si se abater

Mas firme no intuito não vai se entregar

E com reforçada gana vai seu sonho o buscar



Em seus passos , topadas pode dar

Nesse embate , porradas pode levar

Mas no combate vai mais endurecer

Com atribulações da lida aprender



E sempre outra vez deve tentar

E novas estratégias aplicar

Com outras formas de fazer

E com os erros aprender



Turbulências deve vencer

Mão firme no leme manter

No seu foco deve se fixar

Persistindo no intentar



Pro seu sucesso lograr

Pro seu intento vingar

Pode tanto ter que viajar

Pode tanto ter que caminhar



Todo medo deve vencer

Para o perigo crescer

Inimigo que aparecer

Fiel no seu querer



Há de planejar, medir, arquitetar

Se necessário, destruir, refazer

Rasgar, queimar, se reciclar

Retificar para ratificar seu querer



E nessa lida de um bem realizar

Na trajetória que se tenha de fazer

Se uma fincada dor se agregar

É total razão pro seu vir a ser




sábado, 29 de outubro de 2016

DA MONSTRUOSA CRIATURA









                                                        

Foi um tenebroso e intempestivo fato

que nesses versos ainda chocado relato;

pelo que me fez o espírito conturbado

causando-me espécie, tal impactado

pelo efeito da tão monstruosa figura


que tão mais abominável se afigura

que por meu descuido na lida entretanto

deu de cara comigo pro meu espanto.

Triste vulto, que se alguém me contasse

que existe, talvez eu não acreditasse;

e eu que já andei tanto como a vagar

noites, madrugadas, estradas, beira-mar

por ruas desertas, ermos , travessias;

em tempos de procura em que me perdia;

em florestas fechadas , noites dormi

quando da conturbação do mundo fugi;

nessas passagens não vi não mais

do que pacíficos espectros normais

a brincarem mais do que assustar

a se mostrarem sem querer apavorar

ou discretos em seu lugar a ficar

ou somente a algo então comunicar;

só me causaram leve apreensão.

Estava assim já tão certo então

que umas figuras são só imaginação

mitos, símbolos da humana criação;

tinha na razão não existir tal elemento

tão hediondo como esse que apresento:

era algo lá como a Mula Sem Cabeça

não há vivente que disso se esqueça

vociferando em roncos , ameaçadora

rosnando raivosamente assustadora

expelia fogo e fumaça preta pela venta

e era tão enxofremente fedorenta

e bufava resfolegantemente estrondosa

se agitava em atemorização pavorosa.

Eu que achava já ter visto o suficiente

parei quando vi tão repulsivo ente

parecia com a Cuca ou uma fera tal

com um semblante terrivelmente mortal

do cão chupando manga era a caricatura

redundância de aberração era a criatura

poderia mesmo defini-la como minotaura

e tão densa e escurecida era sua aura

tinha um procedimento de Vaca Louca

de carregada histeria que não era pouca

e de sua bocarra escorria baba gosmenta

e eu morria de medo daquela coisa nojenta

até que me aliviei da dramática tensão

quando deu meia volta o abjeto ser então

levando à frente a cavernosa carranca

eatrás a sua alta desaprumada anca

caminhando qual aleijada potranca

pelo modo tão bizarro como manca

deselegantemente desengonçada

arquetipicamente besta quadrada

então aí eu me persignei com fé

e tratei logo mesmo foi de dar no pé

fugindo célere da demoníaca presença

pois a retornar, aquilo estava pretensa...

Ainda em estado de choque, assombrado

atônito , estupefato , bastante abalado

estava totalmente tomado de pavor

o corpo todo trêmulo de tal horror

e aquela imagem iria ainda me perseguir

na minha cama a não me deixar dormir

querendo meu sono em pesadelo invadir

ainda ouvia fortemente seus urros a rugir

ainda a via presente em seus modos de anta

de uma perfeitíssima jumenta e tanta

aquela tão demais mocoronga armação

o infeliz pacote não me deixaria dormir não

e só depois que orei poderosa oração

de volta ao seu inferno se recolheu então.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

PRIMAVERIL




















Nesse radiante momento

de clara natureza matinal

por meu espírito a ostento

em sua beleza especial

em suas caras imagens

a cintilar nesta paragem



desde o tão claro azul  do céu

alvas e formosas nuvens leves

se afiguram airosas neste painel

de harmonia qual se descreve

às folhas pela brisa animadas

na mata de árvores avultadas

de pássaros voando suas cores

e borboletas que sorvem flores


mesmo um cachorro arteiro

se integra à cena , brejeiro

e um gato ainda sonolento

estica-se em alongamento

um cavalo o rabo que agita

em coreografia que exercita


as libélulas ziguezagueiam

lagartos devagar passeiam

um beija-flor sobrevoa

um robusto besouro troa
 minerais, bichos e matas
a natureza assim se retrata


um galináceo canto

ecoa neste recanto

clarim que se anuncia

a impulsionar este dia

que luminoso se abriu

em brilho primaveril








segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CÃES E GATOS




O gato é a delicadeza

Tranquilo, introspectivo

Passos tão silenciosos ; macio

Seu natural transparece

Na expressão manhosa

Do seu miado choroso

Do seu ronronar sussurrante



O gato é tão limpinho e asseado

Dá-se banho, caprichoso

E quando faz o dois

Procura direitinho cobrir

Preocupa-se em não deixar

Exposto seu lixo

De tão acre fartum



É uma companhia maneira

Não dá trabalho quase algum

Quase nada requer

Tranquilo fica ; tranquilo deixa

Algo indiferente, talvez egoísta



Já o cão é inquietação

Atento e envolvido

De passos convictos;  espaçoso

Seu temperamento  se revela

Na expressão estridente

Do seu ladrido rumoroso

Do seu rosnado ameaçador



O cão não está muito aí pra higiene

Até se espoja no barro se lhe der

E quando faz o dois

Larga lá exposto seu lixo

Quem quiser que não goste

Faz coisa até pior , ora



É uma companhia manifesta

Requerente de atenção

Sempre de prontidão , às ordens

Se está tudo em paz ; em paz fica

Qualquer alteração, por mais tênue

Captada na  sua aguda extrospecção

Empertiga-se a bradar latidos inquiridores



O gato e o cão

São naturezas distintas

Mas quase se assemelham no modo

como se inclinam aos pares

nos cumprimentos , nas intimidades

em que se reconhecem e se acolhem

o gato é tanto mais comedido

o cão um tanto mais lascivo

no modo como em afeto se demonstram

na troca de carinhos , como se acariciam,

se roçam , se lambem



E quando em grupos

Na disputa da fêmea ; no cio

Pela pavorosa algazarra

Dramaticamente violenta

Nos telhados a sobressaltar

Nas vias a afugentar

Nos estreitos princípios

Da reprodução da natureza



Se assemelham no zeloso

e vigilante amor

que dispensam aos filhotes

que brincam saltitantes

curiosos e arredios

quais crianças

mas já se prenunciando

nos instintivos traços da raça

felina ou canina



o gato e o cão

são naturezas diversas

mas também se assemelham

no modo como conosco formam aspectos

em seus estilos, domesticados