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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Cabelo de Nego
















Então cê quer que eu traga meu cabelo sempre cortado

Porque crespo se cresce, você fica muito incomodado

Como se meu cabelo grande ferisse se olhar


Como se eu fosse o patinho feio ou uma aberração

Então eu tenho assim cortado pra a gente de boa ficar

Talvez eu não queira mais seu olhar de desaprovação



Cê quer que eu traga o cabelo raspado na um ou na zero

E seu descontentamento com minha pessoa eu não quero

Talvez cê queira mesmo que eu nem tenha mais cabelo

Que eu traga sempre meu couro cabeludo no pelo

Pois segundo você diz, o meu cabelo é ruim

Porque ele é não sei que lá assim assim

E o que é ruim tem que ser eliminado

E pra não contrariar eu tenho raspado

Mas eu acho que você é que está sendo ruim

Quando não aceita a natureza em mim

E quer desta maneira me inferiorizar

Porque meu cabelo faz você se apoquentar

Mas é cabelo de negro, de africano, rapaz

Que vem desde meus milenares ancestrais



Então cê quer mesmo minha cabeça só raspada

Pra você não se sentir assim tão aporrinhada

De que meu cabelo é duro , não sei mais o quê

E se eu cresço ele, você não ‘guenta ver

Mas o que é duro mesmo é esse seu discurso aceitar

Quando você passa a alguém querer depreciar

Em função do cabelo ou pele que a natureza lhe dá

Mas eu tenho até raspado pra você não se encolerizar



Cê quer minha cabeça sempre raspada então

Talvez não queira nem que eu deixe o pimpão

Porque o meu cabelo a deixa mesmo desconfortado

Então pra você não se exasperar eu tenho raspado

Assim é que eu tenho feito sua vontade



Você quer minha cabeça sempre raspada

Pois se crio cabelo cê fica mesmo exaltado

Mas agora eu resolvi tomar a liberdade

De transar o meu cabelo como eu bem quiser

Vou criar cabelo grande; cê vai ver como é que é

Ou será que eu tenho que lhe pedir licença

Pois talvez que manda em meu cabelo você pensa

Eu vou é deixar meu cabelo crescer um bocado

E não to nem aí se você vai ficar no desagrado



Você quer minha cabeça sempre raspada

E pra você não se sentir incomodada

Eu tenho raspado meu couro cabeludo

Com máquina um , zero, gilete e tudo

Pois cê diz que meu cabelo é duro, é ruim

E eu tenho ido em suas águas assim

Mantendo minha cabeça raspada

Pra você não ficar injuriada



Só que agora eu fiquei já retado

Eu vou deixar meu cabelo crescer adoidado

Você só quer meu cabelo cortar

Mas agora resolvi meu cabelo criar

Num Black Power bem alto e volumoso

Eu quero mesmo ver você ficar furioso

Meu pixaim, do bicho vai ficar

E de raiva você vai se estrebuchar

Vai crescer tal que na bucha vai ficar

E na esponja a bucha vu realçar

E você de ódio vai se lascar



Você só quer meu cabelo cortar

Mas uns dreads cabulosos eu vou transar

A lá Bob Marley, rebelde, irreverente

Tô me lixando que cê vai ficar descontente

Você que quer meu cabelo raspado

Pra não ficar se ressentindo, chateado

Agora eu vou é deixar crescer a engundar

Formando mesmo uma placa; um tapete capilar

Cê vai ficar horrorizado de doer

Que vai até pedir pra morrer

Vai ficar mesmo indignado o rapaz

Protestando que meu cabelo ‘tá demais’



Cê quer meu cabelo sempre cortado

E assim eu tenho me comportado

Mas agora vou crescer meu cabelo num trançado

Sobre o couro cabeludo traçado

Nem se você vai se desgostar

Se com meu novo look não vai se dar



Você quer minha cabeça sempre raspadinha

Mas agora vou transar nele umas trancinhas

E realçar com contas coloridas, com missangas

E pouco me dá se então você se zanga

Vou realçar as trancinhas com alegria

Com continhas com as cores da Bahia

Com as cores da Jamaica posso variar

Com o vermelho e preto também

Que são as cores que meu time tem

Posso variar com as cores do meu orixá

E você meu irmão que vá se danar

Que nem aí pra você vou estar

Exercendo minha liberdade capilar

Pois eu sou dono do meu nariz

Também desse cabelo que você maldiz



Você só quer meu cabelo cortado

Pois, grande, cê fica chocado

Mas uns finos dreads nele vou transar

A lá Djavan, Brown, e quem mais há

Quero ver sua cara como vai ficar

Meu cabelo em nada me faz incomodado

Esteja ele como for, mesmo raspado

Você é que tem que com a vida se resolver

E aceitar a natureza como Deus quis fazer

E não vir com essa de que eu tenho que cortar

Pra você não se sentir em mal estar



Se cabelo de negro problema vem lhe trazer

Eu nada meu irmão posso então fazer

Carregue um espelho para então se olhar

Quando um negro cabeludo em sua frente pintar

Aí então você vai se sentir melhor

Você que se acha que é tal, melhor

Nem tudo no mundo nos agrada, infelizmente

Como não agrada a nós , afrodescendentes

Quem deste modo nos quer inferiorizar

Pelo cabelo ou pele que a natureza dá



E nem me venha com esse papo de pente

Que isso é lá invenção da sua gente

Que esse artefato achou por bem de inventar

Para atender sua necessidade capilar

Nosso povo, tal objeto nunca inventaria

Pois pra nosso cabelo nunca serviria

Pra gente o que rola é o todo embaraçado

O Black Power, os dreads, o trançado

Ou que mais a gente inventar

Então se chegue com seu pente pra lá



Você até que tem ousadia, rapaz

De se botar de escroto sagaz

Mas o que lhe falta é a inteligência

Ou quem sabe justa consciência

Pois como pode alguém querer esculhambar

Pelo cabelo ou pele que a natureza lhe dá



Você só quer meu cabelo aparar

Pois se revolta se eu criar

Mas a minha agora é te desprezar

E levar meu cabelo como se me dá

Na afirmação, na resistência, meu irmão

Contra o racismo e a descriminação

Agora vê se você me deixa em paz

Pois aqui é cabelo de nego, rapaz!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Um Ateu, Um Achólogo



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Eu sou um ateu
Eu sou um achólogo
Penso, logo acho
Eu acho que Deus não existe
Eu acho que Jesus não existe
Eu acho que alma não existe

E enquanto a Ciência não prova
Que alma não existe
Que Jesus não existe
Que Deus não existe
Eu vou achando

Penso, logo acho
Eu sou um achólogo
Eu sou ateu

O teísta crê que Deus existe
Mas eu acho que Deus não existe

Tem teísta que se diz além do crer
                                   na certeza
Pois tem já de Deus comprovação
                                 alguma graça
                                 algum poder dado do Céu
Pois tem de Jesus o seu sorriso
Após seguir-lhe em mandamento
Pois tem de almas aparições
Em contextos tais e quais
Mas eu acho que isso é alucinação esquizofrênica
Porque eu acho que não existe sobrenatural
Só a matéria e tal
Pois eu sou um ateu; eu sou um achólogo

E esse pessoal que exibe algum poder singular
                                         alguma força  excepcional
                                         alguma capacidade diferenciada
                                         algum talento acima do comum             E atribui essas qualidades
A uma dádiva divina
Eu acho que está mentindo
eu acho que está de baratinho
Pois essas suas qualidades
Eu acho que é dele mesmo
                        do seu próprio gen
Eu acho que não é nada dádiva de Deus
Pois eu sou um ateu
             sou um achólogo

E nesse pessoal que fica louco
Em grave perturbação mental
De se atirar no fundo do poço
Numa fossa a se atormentar
De até pensar em se findar  
E de repente se ascende
                     se pronuncia
                     se manifesta
                     se destaca
Exibindo um poder singular
                uma força excepcional
                uma capacidade diferenciada
                um talento acima do comum
De admirar as gentes
Como a Fênix mitológica
Ressurgida d’um fim
E que atribui sua cura e sucesso
A intercessões sobrenaturais
Deus , Jesus, etc.
Eu acho que está mentindo
Eu acho que está de baratinho
Eu acho que sele se curou ele próprio
              que ele se empoderou  ele próprio
                     foi a penas as drogas do doutor
E mesmo os que fugiram do hospício
E se jogaram no mundo
E daí emergiram
Para o sucesso e reconhecimento
E atribui seu restabelecimento
A Deus, a Jesus, ao sobrenatural
Está mentindo; está de baratinho
Porque eu acho que Deus não existe
             eu acho que Jesus não existe
             eu acho que o sobrenatural não existe

Pois eu sou um ateu
        eu sou um achólogo

E esse pessoal que diz
‘Jesus é a razão do meu sucesso’
‘Deus é a razão do meu sucesso’
Eu acho que está mentindo
                     está de baratinho

Porque eu acho que Deus não existe
            eu acho que Jesus não existe

Pois eu sou um achólogo
        eu sou um ateu

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Depois da Festa


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Após a badalada festa, de lá Inocêncio saiu a andar

foi dar um rolê na cidade; tipo espairecer, o que ocorrer...

Tinha que chegar em casa numa manhã tudo bem, bem resolvido

pois que de fato lhe ficara algo nebuloso, mal definido

a festa para ele não acabara bem

numa fome, numa sede, num desejo, numa ânsia

no abalo de uma desilusão maior

Inocêncio mais do que tudo não conseguia esquecer a menina

que na festa conhecera e que com ele ficara

Inocêncio ficara por demais a ela afeiçoado

e ela lhe parecera estar no mesmo clima

lhe parecera que ela houvera colado na dele

Inocêncio, da festa a queria levar

mas na hora H se recusara a ir com Inocêncio...

Isso abalou sobremaneira o espírito de Inocêncio

lhe algo desconjuntou ; lhe algo espantou de surpresa

se logo já estavam íntimos como num motel

se na festa mesmo transaram

trocaram palavras carinhos, confissões de amor, carícias e gozos...

Inocêncio contava com levá-la para seus sonhos

e a festa acabou e Inocêncio ficou sozinho, a pensar...

E saiu andando pela cidade buscando se distrair ...

Com tão caras expectativas frustradas

de tudo o que esperava ser e rolar

e isso lhe houvera a mente desestruturado

lhe houvera abalado o espírito 

e se recusava a seguir para casa naquele estado

ou esta não mais lhe seria um lar

sem aquela velha paz e tranquilidade

com a alma num tumultuo má acomodada 

Daí que da festa saiu a andar pela cidade 

até um amanhecer que o encontrasse restaurado

desses desajuntes da decepção de sua expectativa 

quando até lá esperava assim pensando

se recompor a mente em trauma; se amainar o espírito estremecido

chegando em casa resolvido para o sono tranquilo



A Lua rebrilhava no escuro do céu, fascinante

entre as tantas estrelas a cintilar

Inocêncio a admirava contemplativo

A visão do céu noturno com seus luminares

lhe arrebatava a alma

e sua imaginação logo viajava solta pela imensidão afora

a imaginar tudo o que em sua mente poderia imaginar

a existir pelo Universo afora



Mas assim foi que Inocêncio depois da festa

saiu a dar um rolê pela cidade

sozinho, pensando, espairecendo, buscando entender

parecia que tudo ia rolar, e tudo deu pra trás

era Inocêncio a pensar

e pensando, pensando, saindo a dar um rolê 

logo foi parar num botequim da cidade

e deu um bom tempo lá 

e bebeu e fumou ainda mais

do que houvera na festa bebido e fumado

Era um botequim muvucado 

e Inocêncio passou um bom tempo lá

absorvendo o impacto da sua desilusão

E entre prosas suaves, cantorias ao violão

recitais de poesia e discussões acaloradas

pois havia lá desde uns caras maneiros até outros mais da pesada

desde uns com a cabeça mais no lugar a outros doidos de pedra

Inocêncio viu brigas rolarem; sangue se derramar

Também teve quem corresse de briga amedrontado

Mas às vezes nem adianta muito fugir do atrito

com medo de se machucar ou de morrer

pois às vezes a porrada vem sem esperar

de supetão, na crocodilagem, no abafa, na pressão

que não dá nem tempo de correr



Mas ali Inocêncio conheceu umas tantas interessantes figuras da cidade

uns a tornarem-se novos amigos; outros, novas antipatias

Havia lá também uns tantos sonhadores de amor e de guerra

idealistas de todas as linhas

políticos, desde o mais à esquerda ao mais à direita

artistas, filósofos, poetas, profetas, romancistas, pintores

outros tantos tipos de artistas, intelectuais, ativistas e tais

E ali estava Inocêncio após a festa

naquele ambiente relax, de curtição

mas às vezes de tensão, de explosão 

o que fazia o ambiente em suspense, em receio 

Mas ainda nesse bar, Inocêncio tanto falou, tanto ouviu

tanto cantou à capela e ao violão

recitou poemas e até escreveu versos no bar

entre artes outras que aprontou



No final da badalada festa, Inocêncio saiu de lá a dar um rolê pela cidade

para espairecer, para absorver, para se resolver, por um refeito amanhecer

tomado que estava

da frustação de uma cara expectativa

Daí que se foi Inocêncio dar um rolê pela cidade, como um andarilho urbano 

e deu um bom tempo na porta dum bar

frustrado por tudo o que deveria rolar

sentindo a falta da menina com quem ficara na badalada festa

e volta e meia lhe vinha na mente sua imagem

trazendo-lhe na fresca memória sua lembrança tão forte

que chegava mesmo a ouvir até sua voz tão femininamente suave e sensual

e até sentia seu perfume agradável e envolvente

e já a tinha em seu coração

Tão bom foi ter na festa com ela ficado.... Pensava

porém sentia mais por ela não ter com ele se ido

ao seu pedido



Às vezes pensando, lembrando, até entendia 

que a menina que na festa com ele ficara 

até lhe dera um pouco do seu amor, um pouco de si

mas Inocêncio queria dela bem mais, muito mais

ela lhe dera um dedo e ele lhe queria todo o corpo

E Inocêncio daria agora até um dedo por ela

Ela lhe houvera dado um tanto do seu tempo

mas Inocêncio queria dela toda a vida, até a morte

E agora Inocêncio por ela jogava a vida

E todos ali no ambiente da festa

mesmo os que não estavam na festa

viam como Inocêncio estava já a ela ligado 

pelo seu comportamento com ela

d’um modo que era todo carinho e cuidado

pelo seu olhar para ela, que nem se ligava em disfarçar 

E Inocêncio botava a maior fé de que ela estava na dele

Inocêncio estava a se achar o cara; o felizardo do coração da bela mina

vivendo seu grande amor; seu romance promissor

estava no namoro que pediu a Deus, só no bem bom pensava 

e tudo o que lhe ia no sentimento

Inocêncio lhe confidenciava com transparência

Inocêncio transbordava de amor pela menina com quem ficara na festa

e que houvera já invadido seu ser romântico sentimental

era um sentimento muito forte, já em si sedimentado

dominando já toda sua emoção

e já ninguém podia dela aproximar-se

vê-la com alguém já fazia Inocêncio sentir-se em alvoroço

e já não conseguia segurar seu ciúme em ajuizado senso

e passou a protagonizar cenas de chamar geral a atenção

e todos sabiam que Inocêncio por ela

já se houvera arriado os quatro pneus e o estepe

já não se segurava, cheio que estava de sentimentos e expectativas

que já se transtornava; se alterava

com seu discurso inflamado já lá pelo final da festa

também já tava cheio de fumo e vinho



Inocêncio houvera desenvolvido forte senso de possessividade

em relação à menina que com ele ficara na festa

e por ela sentia aquele tanto

porém ela se recusara a seguir com Inocêncio

e agora Inocêncio a levava viva em seus pensamentos

ela se fazia da mais forte presença em sua mente



Andando pela cidade desde a badalada festa 

e levando nos pensamentos como um incômodo mal resolvido

a menina que com ele ficara na badalada festa

e que decepcionantemente se recusara a seguir com ele desde a festa

a simbolizar toda uma expectativa do seu desejo frustrado

andando, pensando, buscando entender

Inocêncio às vezes imaginava de repente ela aparecer em sua frente

a lhe dizer que pensara melhor e decidira seguir com ele

e ficava tão feliz só de imaginar o acontecimento

que por momentos se resolvia sua angústia, sua aflição, seu atantaramento 

Mas esse imaginar era só um sonho acordado do Inocêncio


A lembrança da mina que ficara com ele na festa

e que se recusara a se ir da festa com ele era forte, total

o cheiro perfumado do seu corpo perfeito e gostoso

a pele suave e macia

era uma maçã bela, viçosa, suculenta, deliciosa

sua boca tão docemente podia ainda sentir 

nos tão sensuais beijos molhados que trocaram

Não foi à toa que Inocêncio se fixara a ela tão rapidamente

só o momento de uma festa e ela já lhe houvera tomado o espírito

e ele se apaixonara

Bem que Inocêncio às vezes se sentia inseguro quanto a ela ter de fato

pois às vezes lhe parecia que ela correspondia ao seu amor

às vezes parecia que o amava

pelo como às vezes o pegava; pelo como às vezes lhe falava

mas às vezes lhe parecia que ela já não estava lá bem na dele

mas só ficou certo mesmo disso quando quase no fim da festa

a convidou para se ir da festa com ele e ela se recusou

aí então desenganou-se o Inocêncio

que nesse momento viu que era mesmo o fim que estava como um mau presságio a imaginar

o fim de ter esperança de tê-la pra si

e era a decepção de tudo o que havia então sonhado rolar...

Inocêncio não se segurava na boa de que tudo desse assim pra trás

ficou meio sem chão e após a festa saiu de lá a andar

pela cidade a pensar, à procura de se resolver do revés

para a cabeça chegar a bom termo, pois ficara balançada, deslocada, confusa

não dava pra chegar em casa e ficar num lar assim

pois não seria um lar com essa sua agonia

também para Inocêncio a festa já havia mixado mesmo

já era hora mesmo de se ir

a menina que com ele ficara, a seguir com ele se recusara
a essa altura
 
Já todos ali na festa já percebiam 

que Inocêncio estava já sozinho 

e não conseguia disfarçar sua contrariedade

Inocêncio havia já se desencantado com a mina e estava com uma feição contrariada

pior que a música zoeira baixo-astral de fim de festa já agitava bem alto 

e sob a música baixo-astral fim de festa a zoar

uns e outros começaram a indiretar Inocêncio

botando pilha na sua contrariedade e desilusão

direcionando-lhe a música feia baixo-astral de fim de festa

para lhe dar nos nervos, já tão à flor da pele pela desilusão total

e Inocêncio que também já tava cheio de álcool e fumo 

na sua mente mais fragilizada sem a mina 

psicologicamente enfraquecido 

acabou comendo pilhas que uns e outros botaram

e Inocêncio sem poder se segurar, se entregou ao descontrole

chamando já a atenção geral na festa 

escandalosamente, e fazendo palhaçadas mil; micos tantos



A mina que ficara com Inocêncio na badalada festa

e que já não estava mais com ele 

desde que se recusara a se ir da festa com ele

tornara-se um problema; um entrave para Inocêncio

ou seja, a sua falta, a sua recusa

se ela ainda ficasse com Inocêncio

Inocêncio nem se importaria tanto com a música baixo-astral a zoar no final da festa

ainda que uns abusados da festa

a quisessem direcioná-la para Inocêncio

mas já sem o seu amor

que o fazia se sentir um tal na festa 



mas não tinha como Inocêncio não se deixar abalar

pelo abuso de uns tais 

comendo a pilha daquela galera

que lhe direcionava a música baixo-astral de fim de festa

para sua mente abalada, psicologicamente fragilizada

pela perda da ilusão do amor da mina que com ele ficara na festa

e de tudo o mais que esperava rolar; tudo com que contava que ia ser



O fato é que aquela música feia baixo-astral anunciava o fim da festa

anunciava que cada qual devia já ir levantando sua tenda para se mandar

o cara que fazia as honras da casa, o mestre de cerimônias

parecia ser um cara decente, instruído, descolado

mandara muito som legal

e se tava mandando agora aquela música feia e baixo-astral

então é que estava comunicando o final da festa

estava a fim de zoar também; já tava cheio, cheíssimo

de fumo e de vinho; tava todo mundo cheio 

e Inocêncio houvera demais se apegado à menina que na festa com ele ficara

houvera se apegado firmemente

e ela se negara a se ir da festa com ele

agora só ficara aquela música baixo-astral a zoar

e uma gente a reverberar; querendo direcioná-la para Inocêncio 

e Inocêncio já se descabelava sem a mina que com ele ficara na festa

e aquela música baixo-astral a zoar

parecia que agora ficaria tocando repetidamente

tocando repetidamente até a moçada da festa se dispersar

parecia mesmo uma música feita para o fim daquela festa

e mesmo de outras festas assim acontecendo

a música feia baixo-astral de zoar era para mandar embora a galera

certamente que anunciava mesmo o fim da festa

pois aquela música feia e destoante era mesmo para desanimar

para tirar a graça da festa porque era já seu fim

e a música feia e baixo-astral que tocava repetidamente

já houvera tirado a graça da festa

só alguns que ainda forjavam se divertir ainda 

levando a música na esculhambação, risadarias e galhofas

também já estavam todos cheios de fumo e vinho



Inocêncio seguia andando caminhando pela cidade 

com seus pensamentos animados chutando latas

e logo pensava nela e lhe vinha a música feia e baixo-astral do fim da festa

e depois vinha a lembrança dela; a lembrança de tudo que imaginou que rolaria e não rolou 

aí vinha a lembrança dela, aí vinha a da música a zoar

a do mestre de cerimônias já cheio

a de outros tantos da festa já cheios gritando, rindo, pilheriando, zoando

e vinha a lembrança da música e vinha a lembrança dela

e vinha a lembrança do mestre de cerimônias cheio

e vinha a lembrança da música feia, baixo-astral de fim de festa a zoar

e vinha a lembrança de todos na festa cheios a gargalhar; e vinha a lembrança dela

E assim seguia Inocêncio sozinho andando pela cidade 

desde a festa, olhando pro céu, admirando a Lua; esperando o Sol

e que este o encontrasse resolvido para chegar no lar para seu sono tranquilo



Inocêncio da badalada festa saiu a andar 

dando um rolê pela cidade para espairecer 

e após uns tantos passos chegou num bar

e no bar foi que deu um bom tempo pensando

Mas Inocêncio também não foi só para o bar

também foi para a beira do mar

o mar estava revolto e barulhento

e ficou na beira do mar a contemplar e pensar

e pensou tanta coisa quanto sua imaginação permitiu pensar 

na sua contemplação do mar

Assim foi que deu um bom tempo na beira do mar

pensando, contemplando, admirando o mar



Inocêncio tinha sonho, tinha objetivo; mas ficou tudo difícil para Inocêncio

Mas, por mais que houvesse ficado tudo o mais complicado

o mais distante, o mais arriscado e desafiante 

iria encarar decidido com a cabeça erguida

levantada, retomando o foco

e tanto que passasse em função disso até mais gana

até mais razão lhe daria para seguir no objetivo se acumularia para querer

Inocêncio na mente já esboçava tênues traços de um plano de ação para se soerguer dessa sua desdita 

era plano de um objetivo um tanto obscuro e impreciso 

e iria exigir muita disposição força, coragem e alguma sorte 

e que certamente não seria fácil de conseguir

mas tropeços que desse, com eles aprenderia

buraco em que caísse, dele altivo se elevaria

adversidade que se fizesse, tenazmente enfrentaria 

breu que o envolvesse, buscaria a luz da iluminação ver

e sua velha fé em Deus haveria de lhe valer algo


Inocêncio no seu rolê pela cidade

passou no bar onde deu um bom tempo se dando

passou na beira do mar onde deu um bom tempo pensando e contemplando

passou ainda em tantos lugares mais 

lugares que já conhecia; lugares que ainda não conhecia

passou em lugares onde morou

entrou e saiu em becos e vielas

conheceu de perto monumentos da cidade

lendo as referências; alusões a décadas, a séculos passados 

personalidades históricas, bélicas, políticas

representam fatos relevantes da história da cidade 

como fantasmas a exalar de si o tempo e contexto de suas vidas 

demandadas no aspecto pelo qual ali se faz representado

Inocêncio se inteirava mais um pouco de passados acontecimentos da sua velha cidade


Mas Inocêncio seguia madrugada adentro desde a festa em rolê pela cidade

e as vozes que se fizeram em galhofaria no final da festa 

ouvia ainda em certos momentos que assim se faziam de agonia 

ressoando dentro da sua mente; do seu sistema nervoso central

junto com a música feia e baixo-astral do final da festa 

e vinham a ressoar na sua cabeça como enxames a zoar

jurava que ouvia vozes de presentes na festa

e até mesmo vozes de cantores cujas músicas se ouviu na festa

e tudo num vozerio infernal, era como uma tortura

Inocêncio tava ficando era mais e mais noiado

Inocêncio estava às voltas da loucura, que só Deus



E foi tanto rolê que Inocêncio já houvera pela cidade 

que esta lhe foi ficando pequena

e sentia falta da menina que ficara com ele na festa 

sentia falta dela mais do que imaginava que iria sentir

e ficava ainda mais aperreado quando pensava no que pensara que iria ser 

quando pensava em não ter conseguido fazer ser 

como só desejava que fosse a festa; e o que se faria da festa

e da festa saiu e ficou jogado pela madrugada



é normal gostar, querer e não ser querido; é normal jogar e perder

é normal então ficar por alguém balançado 

se sentindo desconjuntado, alquebrado, quebrantado



Andando em seu rolê pela cidade

Inocêncio lembra de quando conheceu Solina

a moça com quem ficara na badalada festa 

Inocêncio ficou fascinado por Solina desde que a viu, de cara

admirado com sua beleza seus olhos tão negros, 

seu cabelo igualmente negro, liso e grosso

seu corpo de estatura transbordante de sensualidade

sua pele morena perfumadamente feminina

Inocêncio ficou fascinado por Solina logo que a viu

naquele grupo maneiro na festa; e logo já lhe dava beijinhos na boca

e logo já a desejava ardentemente, numa tara incontrolável, incontida 

e logo Solina já lhe houvera invadido a mente, os pensamentos

e logo Solina lhe invadiria o coração, o sentimento

e logo Solina lhe invadiria a alma, todo o seu ser

e logo Inocêncio se apegaria a Solina muito mais 

do que a princípio imaginara que se apegaria 

e só a ela queria, fixadamente; obcecadamente



Mas o que havia em Solina que em Inocêncio teve esse efeito devastador? 

Teria sonhado alguma vez antes com ela ?

Será que a conhecera de outra encarnação ?

- E existe outra encarnação ?- Inocêncio pensava 

e que mistério é esse de então se balançar 

por outra de quem não consegue se desvencilhar nem no pensamento

de se apegar a alguém só pelo tão pouco tempo de uma festa

só pelo pouco tempo de uma festa, se apegar assim...

Será coisas do espírito? Será feitiço?



Inocêncio muito pensava em Solina e tentava saber o porquê da sua recusa 

em se ir da festa com ele, já que estavam tão bem harmonizados na relação, à vista de todos

e tanto conversaram no tempo em que ficaram juntos na festa

conversaram coisas de magia, de natureza, até de política

ela sempre lhe pareceu correspondente; o que houve então ? 

Será porque não tem um daqueles carros possantes que na festa fulguravam ?

Será porque não tem um daqueles apartamentos 

em condomínio luxuoso de frente para o mar ?

Seria algo assim ? Porque ele nada é, nada tem ?

Mas não achava que era isso, afinal! A mina não fazia esse tipo

ou pelo menos não parecia fazer

certamente que encheu o saco dele com seus cuidados de bobinho apaixonado

curtiu um tanto dele e se saiu saciada

não, não era porque ele não tinha nada

não era porque ele não era nada 

ela é que não tava a fim de ninguém

ou ela tá a fim de alguém

Mas não foi por Inocêncio não ter nada

mas não foi por Inocêncio não ser nada

Mas Inocêncio cresceu na ideia de se tornar alguém 

Inocêncio pensava no seu sonho, no seu objetivo 

e achava que seu sonho o fazia crer com otimismo no seu objetivo

o seu sonho o poderia fazer grande, desde se fizesse o sonho

Inocêncio pensava que procuraria ser grande, importante; andando pensava

Se pudesse faria qualquer pinoia para ser grande; 

se pudesse apareceria voando na frente dela para chamar a sua atenção 

mas como fazer isso ?

Se pudesse soltaria o mais alto grito ; como alguém jamais o fez

talvez se destacasse gritando um eureca qualquer

que Deus lhe mandasse uma força sobrenatural

que lhe fizesse mais forte 

que aquele todo sentimento de perda

Inocêncio gostou da ideia de ser grande

de se projetar no mundo para que Solina soubesse 

da sua presença influente no mundo

que não era qualquer um como pensara 

para recusá-lo como o fez na festa

Inocêncio tinha sonho; 

independentemente de Solina, tinha sonho

ainda que tivesse de derrubar uma estrela



Inocêncio gostava de viajar na ideia de ser alguém

tinha sonho e poderia vir a ser um sonhador bem sucedido

desde que soubesse fazer por onde ser um sonhador bem sucedido

nem que tivesse que invocar ETs em seus OVNIS

nem que com almas do outro mundo tivesse de contatar

ou alguma alma mais especial

mas faria de tudo para se impor ante Solina

pensava, no seu espírito mexido decidido 

quem sabe estamparia seu nome completo

projetado em grande letreiro de neon:

INOCÊNCIO DE JESUS


No rolê que dava pela cidade

uma noite Inocêncio vira uma estrela cair

e ficou atônito, estonteado, estupefato, admirado

de onde aquela estrela lhe fora cair...



Mas seguindo nas suas andanças e pensamentos

Inocêncio levava a mina com ele; na sua alma 

tanto queria que ela fosse com ele; que o acompanhasse

o quanto ainda a queria; estar com ela a sós 

e a amar e muito mais ainda lhe falar do seu amor

se ela tivesse querido se ir com ele da festa 

– Inocêncio pensava - logo já estariam dormindo; abraçadinhos 

o que seria só mais uma das milhares e tantas 

noites de amor que com ela sonhava

pensava pelo seu desejo...

Mas não conseguira levá-la para seu sonho

e para tudo o mais que deveria rolar

não conseguira fazer a sequência de felicidade que acalentou

o portal que vislumbrava se fechou; sumiu



Desde o fim da badalada festa

desde quando já tocava aquela música feia baixo-astral de fim de festa

Inocêncio saiu a dar um role pela cidade para espairecer 

do desconcerto em que se ficou seu espírito conturbado 

por incidentes que lhe acometeram na badalada festa

pois não poderia chegar em casa daquele jeito

levando pra casa toda aquela perturbação que se instalara então no seu âmago

ou sua casa já não lhe seria mais um lar, sem aquela paz e tranquilidade

Inocêncio sentia-se algo partido dentro de si; um fundo trauma 

Inocêncio sentia-se com a razão em empenação 



Inocêncio caminhava no seu rolê pela cidade, pensando, ponderando, buscando entender...

As cenas do final da festa eram as mais intensas na mente inerme de Inocêncio

o pessoal fazendo algazarra com a música feia baixo-astral do final da festa

e cantando aquela música a repetiam a reverberar e caiam nas gargalhadas 

todos já cheios de fumo e de vinho

o espírito de esculhambação baixou numa galera lá pelo final da festa ; pra variar 



No fim da festa cantavam a música feia e baixo-astral de esculhambação

e alto gargalhavam em sonora risadaria

mas Inocêncio sem mais com a mina que com ele ficara na festa

não escondia seu ar de contrariedade pela recusa de Solina

e tomava a esculhambação que aquela galera fazia cantarolando alto a música feia baixo-astral de fim de festa 

quase como uma ofensa a si; a sua contrariedade 

sentia soar aquela cantoria esculhambada 

da música baixo-astral de fim de festa 

como uma indireta para si; para lhe sacanear

porque o estavam vendo sozinho e contrariado, após a recusa de Solina

depois de ter tirado sua ondinha de cara tal

desfilando sua felicidade de mãos dadas

abusando de quem não tem a felicidade de viver um grande amor feliz; de quem não tem a felicidade dessa sorte

agora estava na festa sozinho e contrariado



Algumas meninas na festa e mesmo que não estavam na festa gostavam do jeito de Inocêncio

e por Inocêncio tinham carinho 

algumas até demonstraram interesse por Inocêncio 

mas Inocêncio na festa só tinha olhos para Solina 

isso até quem nem estava na festa percebia

e algumas dessas meninas 

vendo Inocêncio sozinho na festa

vendo que já não estava mais com aquela com quem desfilava de mãozinhas dadas pela festa

pois houvera sido descartado pela menina com quem ficara na festa

se aproximaram de Inocêncio interessadas 

e Inocêncio com o coração sentindo-se machucado

numa rusga da mina, que no momento acabava por se estender a outras

acabou por maltratá-las, atingindo-as em seu orgulho feminino

Inocêncio ficou algo mais cascudo, endurecido

Inocêncio pensando agora em seu role sentia muito por isso

pois aquelas não mereciam como Inocêncio as tratou

mas elas haveriam de entender que foi coisa do seu coração machucado de amor



mas no fundo Inocêncio estava era chateado com a recusa de Solina

e sua chateação se estendia naquele momento às outras

tinha se fixado de tal forma a Solina

que não tinha mais ninguém que naquele momento

pudesse ocupar seu coração

onde Solina houvera entrado e ocupado todo espaço



Certamente também que Inocêncio não agradava a todos 

alguns o censuravam por seus modos, seu jeito de ser

e talvez tenha sido mesmo muito rude e indelicado com umas meninas na festa; e mesmo com algumas que não estavam na festa

mas haveriam de entender que era por sua mágoa de amor; não nada pessoal

Solina era mais do que uma simples decepção amorosa

era o acúmulo de mais uma decepção amorosa 

que o fazia reviver mais intensamente traumas de decepções amorosas passadas

pois já tinha sofrido decepções amorosas marcantes, profundas

Solina era mais uma com quem ficara com um pé atrás quando viu que seu sentimento se inclinava para ela sem pensar

e quando rolou a decepção da sua recusa ficou chateado acumuladamente 

e a sua chateação com Solina neste momento se estendia às meninas que não estavam então em boa conta no humor de Inocêncio 

mas claro que não mereciam o modo como foram tratadas por Inocêncio 

ao chegarem-se para ele após vê-lo sozinho depois de ter 

exalado felicidades por estar acompanhado da sua mina na festa

mas claro que não mereciam ser tratadas com rudeza por Inocêncio 

principalmente Luana, que era linda, meiga e o tratava com todo seu doce carinho 

se pudesse se desculparia com ela 

o que fazer, se cada qual é como é...



E lá se ia Inocêncio no seu rolê pela cidade desde a festa 

em que fora recusado por sua amada, 

pensando, tentando entender, esquecer, sobrelevar

e assim foi que caiu uma chuva daquelas sobre si

e Inocêncio apanhando toda aquela chuva

que até parecia lhe anestesiar o sofrimento

e até lhe parecia clarear os pensamentos

algumas gotas lhe batiam forte 


Mas a festa em si foi muito boa, claro

gente bonita, bons petiscos, boas bebidas, bons fumos

até umas horas

boas músicas; boa iluminação; bons papos, tanto mais

para Inocêncio foi uma festa de arromba, sem dúvida

mas agora cada um teria que voltar para sua vida , sua realidade

que é bem diferente de festa

com suas problemáticas, suas demandas 

A festa foi boa para Inocêncio até umas horas 

porque depois que Solina se recusou a se ir com ele

não mais era a mesma festa para Inocêncio

apesar da animação da pessoas na festa

dos bate-papos animados, dos risos de alegria

das trocas de selinhos e abraços

a recusa de Solina havia esfriado o coração de Inocêncio 

e depois que começaram a tocar a música feia e baixo-astral

aquela música feia e baixo-astral de fim de festa

e pior que uns lhe começaram a zoar lhe direcionando

a música feia e baixo-astral, como uma indireta

só pra lhe sacanear mais do que já se sentia sacaneado 

mais do que já se sentia pela falta de Solina 

Certamente que esses uns estavam felizes com a contrariedade de Inocêncio

por Solina não ter querido com ele seguir

certamente estavam felizes com a infelicidade de Inocêncio

certamente já torciam para o fracasso do seu romance

pois de passagem próximo àqueles, ouviu alguém comentar

de modo a que viesse a escutar

que o “ ... sem vergonha num instante se apaixonou ... “

e assim definitivamente a festa já não tava mais legal

era mesmo hora de zarpar 

de sair no rolê para espairecer; ver o que fazer



E assim foi que saiu a dar seu rolê pela cidade

saiu andando da festa lá seu tanto macambúzio

a andar para espairecer, arejar a mente, se recompor quem sabe

nem se despediu do anfitrião, do mestre de cerimônias 

nem se despediu de ninguém na festa...



Inocêncio já houvera dado um rolê e tanto na cidade 

já houvera andado quase os quatro cantos da cidade

que a cidade já lhe ficava pequena

e acabou se indo por um portal da cidade

E assim foi que Inocêncio tomou a saída da cidade

e já se então pela estrada que era chegada e saída da cidade

e longe, lá longe, tendo tanto mais caminhado 

e outros tantos lances vivenciado

nasceu lá bem longe então pra ele finalmente o seu Sol

longe, longe, bem lá longe foi que lhe nasceu esse Sol

quando assim já se fazendo compreendido e se tendo assim se resolvido

nasceu esse seu Sol lhe fazendo até sentir-se em outra dimensão

com a alma leve; a cabeça serena; em paz e tranquilidade

toda nebulosidade tendo se dissipado pela clara compreensão

e voltou a dormir seu sono mais tranquilo

na sua casa; seu lar